sexta-feira, 23 de abril de 2010

Não tem mais ninguém aqui .

Hoje dormi o dia inteiro. Completamente perdida na escuridão dos meus olhos, perdida nos pensamentos fracos, perdida no meu caminho sempre tão correto debaixo da chuva fria que cai sobre meus sonhos e lençóis. Eu choro e perco a vontade de viver, queria poder sonhar de verdade novamente, ter sonhos de dias mais alegres daqueles que tinha quando era criança. Daqueles que faziam meus olhos brilharem no meio da dor e mascaravam os cantos escuros da cidade. Queria não ter que mentir ser feliz. Sinto falta de todos os pequenos detalhes, coisas que apagamos durante a estrada. Minha vida agora parece um retrato velho em preto e branco, tons do manto cinza tingido de morte que me envolve... Dormi de mais hoje. Já é noite e ainda chove... Meus pequenos erros vêm me inundar em marés de desgosto e ainda não descobri onde errei exatamente: Será que errei em viver? Errei em julgar os outros? Errei pensando que tinha errado. E perdi a batalha da vida contra meu próprio pessimismo. Sinto falta de saber enxergar as cores, a luz, o vermelho do sol da manhã, as cores insanas que os poetas se orgulham de amar, as cores tão belas dos sonhos que se misturam ao breu da vida para abrir novos caminhos dentre a escuridão. Hoje vou voltar a dormir, pelo puro cansaço de continuar vivendo. Entrego-me sem pena para a preguiça da morte, estou só esperando alguém vir me carregar, mas só me resta o relógio marcando meus segundos. Só o silêncio entre as janelas e portas no corredor ouve ainda uma voz penetrante. Só me resta o vazio e a brisa que sussurra devagar: Não tem mais ninguém aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário